O Velho Martino – A novela
Até onde você iria para conquistar dinheiro, conforto, fama e poder?
Não estamos falando apenas de trocar de carro todos os anos ou pagar os boletos sem preocupação. Estamos falando de usar um Rolex de R$ 80 mil, hospedar-se em um hotel cinco estrelas em Paris ou Dubai, dirigir um carro de R$ 800 mil e vestir roupas de grife até mesmo para dormir.
Essa é a pergunta que move O Velho Martino, novela que publiquei recentemente na Amazon.
O protagonista é Valmir do Nascimento, um operador de TI preso a uma rotina frustrante. Com um emprego medíocre, dívidas e a sensação constante ficar para trás, ele vê suas grandes ambições se chocarem com uma vida que parece estagnada, como se todo esforço fosse em vão.
Tudo muda quando um antigo colega de escola lhe apresenta uma possibilidade impensável: fazer um pacto capaz de transformar completamente o seu destino.
É nesse momento que surge Martino, um velho mago de poucas palavras que vive isolado em uma casa simples, cercada pela mata. A partir desse encontro, a vida de Valmir toma um rumo que o obrigará a descobrir o verdadeiro preço de realizar todos os seus desejos.
Muito além da magia
Embora contenha algumas passagens inquietantes, O Velho Martino está longe de ser uma história de terror. A magia funciona como metáfora para discutir temas muito presentes nos nossos dias.
A narrativa fala sobre ambição, redes sociais, busca por validação, traumas, complexos e o vazio que muitas vezes acompanha o sucesso. Também questiona o que realmente significa viver bem e se dinheiro, fama e poder são suficientes para preencher aquilo que falta dentro de nós.
Ao longo de suas 85 páginas, a história convida o leitor a fazer uma escolha: acompanhar Valmir com desprezo e julgamento ou reconhecer nele desejos, medos e contradições que, em maior ou menor grau, todos carregamos.
Como autora, posso dizer que é muito fácil se colocar no lugar dele.
O pacto como lenda urbana
A ideia de negociar a própria alma em troca de riqueza, poder ou conhecimento chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses.
Na Europa, essa tradição foi consolidada durante a Idade Média e ganhou sua expressão mais conhecida na história de Fausto, personagem eternizado por Goethe, que vende a alma ao demônio Mefistófeles em troca de conhecimento ilimitado.
No imaginário popular brasileiro, porém, essa lenda ganhou novos contornos. O pacto deixou de ser apenas uma condenação após a morte e passou a cobrar seu preço ainda em vida.
Quem obtém riqueza e poder perde, pouco a pouco, a capacidade de sentir alegria genuína, amor, empatia e compaixão. Em vez de uma punição sobrenatural, resta uma existência emocionalmente vazia.
Como nasceu O Velho Martino
Curiosamente, não recorri a pesquisas sobre essa tradição para escrever a novela. Afinal, trata-se de uma lenda profundamente enraizada na cultura popular.
Lembro-me de ouvir, ainda na infância, histórias sobre pessoas muito ricas ou poderosas que teriam feito um “pata” — como muitos pronunciavam — para “enricar”.
Essas narrativas ficaram guardadas na memória e, anos depois, reapareceram naturalmente durante o processo de escrita.
Como procuro evitar o maniqueísmo de deuses contra demônios, preferi construir uma história sobre escolhas, consequências e comportamento humano.
Valmir não é um herói nem um vilão. É alguém comum, com desejos, fraquezas, tentações e equívocos.
No fim das contas, o pacto talvez seja apenas uma metáfora. A pior força capaz de nos destruir pode não habitar um inferno distante, mas aquilo que alimentamos dentro de nós mesmos.
Nesse sentido, a alma realmente fica comprometida — não com um demônio, mas consigo própria.
Se esta reflexão despertou sua curiosidade, convido você a conhecer O Velho Martino.
A novela está disponível na Amazon e apresenta, por meio da ficção, uma história sobre riqueza, poder e o preço das escolhas.
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